Por onde andei

Parte da cultura e da economia dos mais diversos países, o design gráfico está presente no dia-dia da maioria das pessoas, não sendo mais imaginável sua ausência (BÜRDEK, 2006, p.11).

Ao longo dos vários séculos, as três funções básicas do design gráfico sofreram poucas alterações. A primeira função é identificar: dizer o que é determinada coisa, ou de onde ela veio (letreiros de hotéis, brasões, logotipos de empresas, rótulos de embalagens). Sua segunda função é informar e instruir, indicando a relação de uma coisa com outra quanto à direção, posição e escala (mapas, diagramas, sinais de direção). A terceira função é apresentar e promover (pôsteres, anúncios publicitários), sendo o objetivo principal o de prender a atenção e tornar a mensagem inesquecível. (HOLLIS, 2001, p.4)

Este trabalho não pretende ser um inventário da manifestação do design gráfico perante a sociedade, mas sim, usá-lo como auxílio para conduzir o leitor ao pleno entendimento das marcas de posse bibliográficas, os ex libris.

Os ex libris são definidos sinteticamente como etiquetas ou pequenos selos que colados aos livros identificam seu proprietário. A frase latina “ex libris...” (livros de...) é geralmente seguida pelo nome do proprietário do livro, trazendo ainda imagens e dizeres particulares do dono, sendo essas as características relevantes. Como cita Bertinazzo (1996), os ex libris traduzem a personalidade de seu titular (ou utente), valendo mais do q ue se pode imaginar a primeira vista, constituindo um emblema sintético da expressão psicológica individual.

Uma das qualidades peculiares do ex libris é o fato de ele ser um dos raros momentos onde há uma colaboração estreita e harmônica entre o bibliófilo encomendante do selo e o profissional que o realiza: este deve seguir o quanto possível às orientações do bibliófilo relativas ao tema, itens que comporão o selo, divisas, tamanho, técnica e afinar o desenho até que satisfaça aos dois.

Tratando-se do resgate histórico dos ex libris, o que se mostrará nos próximos capítulos é o seu surgimento, sua história e seus aspectos formais e simbólicos relevantes, contextualizando-o como uma marca pessoal de posse bibliográfica, condensadora de sentidos e produtora de significação.

O fio condutor para que se chegue a isso é o conhecimento prioritário do conceito de marca, em seu sentido amplo, entendida num primeiro momento como a representação de algo ou alguém por meio de uma imagem.

Enfim, abre-se um convite ao leitor para que permita aos olhos percorrer, página a página, este resgate histórico que traz diversas imagens ricas em detalhes e que merecem, acima de tudo, serem contempladas. Espera-se, ao fim da leitura e da contemplação, que o leitor sinta-se instigado a usar em seus livros, mesmo sendo esses em pequeno número, um ex libris de sua expressão de vida e amor aos livros e, principalmente, que se sinta motivado pela leitura, que engrandece o saber.


Os porquês...

Lucy Niemeyer em seu livro “Design no Brasil – origens e instalação” relata o recente surgimento do ensino do design no Brasil, datado em 1951 em São Paulo, com o curso de design do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), tendo na seqüência o curso de Desenho Industrial da FAU-UPS e a Escola Técnica de Criação (ETC) do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, até a implantação da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) em 1962.

Com o passar dos anos, a atividade emancipou-se e hoje é reconhecida diante da sociedade, que dispõe dos serviços prestados com um número vasto de empresas e de ensino de qualidade em várias partes do país.

A chegada dos ex libris no Brasil é mais remota, data do século XVIII, mas sua atividade não apresentou grande desenvolvimento, principalmente pelos anos de ostracismo instaurado no Brasil desde 1960. Atualmente, os ex libris encontram-se restritos aos acervos de particulares e de instituições, com pouca pesquisa e divulgação. Como conseqüência disso, as gerações atuais não conhecem sua finalidade, o que o torna obsoleto.

No entanto, seu campo é vasto e oportuniza diversas vias de trabalho, seja em pesquisa e desenvolvimento, ou em mais um campo de atuação para o design gráfico.

O ser humano tem como tendência natural a busca por produtos que reflitam sua identidade, e marcar sua propriedade. Atualmente, a busca da sociedade por individualidade é tendência atual em meio a um mercado de produtos massificados. Os produtos personalizados estão em evidência e absorvem parte dos investimentos de algumas empresas que estão aptas a aspirar esta fatia de mercado em expansão.

Os ex libris surgem, em meio a essas tendências, como resposta a tais necessidades do ser humano. Em forma de pequeno selo, serve para marcar a posse dos livros de uma biblioteca. Marca única e exclusiva que traça, em forma de texto e imagem, a personalidade do seu proprietário, representando-o. Um antigo produto personalizado que (re)surge em pleno século XXI.


Eu buscava...

Resgatar a história dos ex libris, apresentando-os e contextualizando-os na atualidade como uma marca bibliográfica pessoal, presente no Brasil.


E buscava mais...

. Apresentar conceitos teóricos e históricos pertinentes ao design gráfico, conduzindo o leitor ao contexto deste trabalho;
. Apresentar conceitos teóricos e históricos de marca;
. Apresentar as formas de representação visual empreendidas pelo homem;
. Apresentar a história dos ex libris, e suas formas de manifestação visual;
. Traçar as possibilidades de desenvolvimento de ex libris/marcas pessoais pelo design gráfico na atualidade.


O caminho

Este trabalho, de cunho documental, reuniu dados através de pesquisas bibliográficas para compor a base referente ao design gráfico e os ex libris. Para conseguir informações mais recentes, referentes aos ex libris, suas coleções e profissionais, reportou-se a contatos com pesquisadores no assunto através de correio eletrônico e visitas pessoais, e pesquisas na Internet e em bibliotecas públicas brasileiras.


E andei e andei por aí...


. . .

Referências Bibliográficas, clique aqui!

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Agradecimentos

Os agradecimentos são especiais a todos que contribuíram para que esta conquista fosse alcançada por mim...
Meus pais, Paulo e Marion, e meus irmãos, Bárbara e Luciano, Gustavo e Letícia.
Meu amor, Vitor, pela paciência, companhia e constante incentivo.
Minha incansável orientadora, Gabriela, pela crítica pertinente e envolvimento na pesquisa.
Os amigos que incentivaram, acompanhando de perto e em oração.
As amigas, Ligia Mesquita, Luana Dentice e Vivian Lobenwein, pela amizade especial, incentivo e ajuda na conclusão da graduação.
A Gráfica do TJSC, pelo auxílio em diversos momentos.
O professor Pedro Paulo Delpino, pela companhia, amizade e conhecimentos gentilmente cedidos.
O professor Tiago Moreira, pelo permeio inicial.
O amigo Carlos Alberto Brantes, pelo vasto favor na pesquisa e nas dúvidas.
A Cláudia Azevedo, pela disponibilidade e auxílio.
A Dona Maria, da Biblioteca Pública do Paraná, pela disposição na pesquisa e nas xerocópias.
A Léia Pereira da Cruz, da Biblioteca Nacional, por atender minha pesquisa.
A Jussara, da Biblioteca Setorial do CEART, pelo auxílio nas normas da ABNT.
Aquele que não dorme nem cochila, Senhor, pela força e esperança depositadas em meu coração diariamente.

MUITO OBRIGADA!

Sobre a Pesquisa

Título
Ex Libris : Resgatando marcas bibliográficas no Brasil

Local
Florianópolis, Santa Catarina, Brasil

Ano
2006

Orientadora
Profª Gabriela Botelho Mager, Msc.
Universidade do Estado de Santa Catarina

Banca Examinadora
Profª Gabriela Botelho Mager, Msc.
Universidade do Estado de Santa Catarina
Profº Murilo Scóz, Msc.
Universidade do Estado de Santa Catarina
Profº Pedro Paulo Delpino Bernardes
Designer Gráfico

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