>> 06 janeiro 2010 –
especial
Parte da cultura e da economia dos mais diversos países, o design gráfico está presente no dia-dia da maioria das pessoas, não sendo mais imaginável sua ausência (BÜRDEK, 2006, p.11).
Ao longo dos vários séculos, as três funções básicas do design gráfico sofreram poucas alterações. A primeira função é identificar: dizer o que é determinada coisa, ou de onde ela veio (letreiros de hotéis, brasões, logotipos de empresas, rótulos de embalagens). Sua segunda função é informar e instruir, indicando a relação de uma coisa com outra quanto à direção, posição e escala (mapas, diagramas, sinais de direção). A terceira função é apresentar e promover (pôsteres, anúncios publicitários), sendo o objetivo principal o de prender a atenção e tornar a mensagem inesquecível. (HOLLIS, 2001, p.4)
Este trabalho não pretende ser um inventário da manifestação do design gráfico perante a sociedade, mas sim, usá-lo como auxílio para conduzir o leitor ao pleno entendimento das marcas de posse bibliográficas, os ex libris.
Os ex libris são definidos sinteticamente como etiquetas ou pequenos selos que colados aos livros identificam seu proprietário. A frase latina “ex libris...” (livros de...) é geralmente seguida pelo nome do proprietário do livro, trazendo ainda imagens e dizeres particulares do dono, sendo essas as características relevantes. Como cita Bertinazzo (1996), os ex libris traduzem a personalidade de seu titular (ou utente), valendo mais do q ue se pode imaginar a primeira vista, constituindo um emblema sintético da expressão psicológica individual.
Uma das qualidades peculiares do ex libris é o fato de ele ser um dos raros momentos onde há uma colaboração estreita e harmônica entre o bibliófilo encomendante do selo e o profissional que o realiza: este deve seguir o quanto possível às orientações do bibliófilo relativas ao tema, itens que comporão o selo, divisas, tamanho, técnica e afinar o desenho até que satisfaça aos dois.
Tratando-se do resgate histórico dos ex libris, o que se mostrará nos próximos capítulos é o seu surgimento, sua história e seus aspectos formais e simbólicos relevantes, contextualizando-o como uma marca pessoal de posse bibliográfica, condensadora de sentidos e produtora de significação.
O fio condutor para que se chegue a isso é o conhecimento prioritário do conceito de marca, em seu sentido amplo, entendida num primeiro momento como a representação de algo ou alguém por meio de uma imagem.
Enfim, abre-se um convite ao leitor para que permita aos olhos percorrer, página a página, este resgate histórico que traz diversas imagens ricas em detalhes e que merecem, acima de tudo, serem contempladas. Espera-se, ao fim da leitura e da contemplação, que o leitor sinta-se instigado a usar em seus livros, mesmo sendo esses em pequeno número, um ex libris de sua expressão de vida e amor aos livros e, principalmente, que se sinta motivado pela leitura, que engrandece o saber.
Os porquês...
Lucy Niemeyer em seu livro “Design no Brasil – origens e instalação” relata o recente surgimento do ensino do design no Brasil, datado em 1951 em São Paulo, com o curso de design do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), tendo na seqüência o curso de Desenho Industrial da FAU-UPS e a Escola Técnica de Criação (ETC) do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, até a implantação da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) em 1962.
Com o passar dos anos, a atividade emancipou-se e hoje é reconhecida diante da sociedade, que dispõe dos serviços prestados com um número vasto de empresas e de ensino de qualidade em várias partes do país.
A chegada dos ex libris no Brasil é mais remota, data do século XVIII, mas sua atividade não apresentou grande desenvolvimento, principalmente pelos anos de ostracismo instaurado no Brasil desde 1960. Atualmente, os ex libris encontram-se restritos aos acervos de particulares e de instituições, com pouca pesquisa e divulgação. Como conseqüência disso, as gerações atuais não conhecem sua finalidade, o que o torna obsoleto.
No entanto, seu campo é vasto e oportuniza diversas vias de trabalho, seja em pesquisa e desenvolvimento, ou em mais um campo de atuação para o design gráfico.
O ser humano tem como tendência natural a busca por produtos que reflitam sua identidade, e marcar sua propriedade. Atualmente, a busca da sociedade por individualidade é tendência atual em meio a um mercado de produtos massificados. Os produtos personalizados estão em evidência e absorvem parte dos investimentos de algumas empresas que estão aptas a aspirar esta fatia de mercado em expansão.
Os ex libris surgem, em meio a essas tendências, como resposta a tais necessidades do ser humano. Em forma de pequeno selo, serve para marcar a posse dos livros de uma biblioteca. Marca única e exclusiva que traça, em forma de texto e imagem, a personalidade do seu proprietário, representando-o. Um antigo produto personalizado que (re)surge em pleno século XXI.
Eu buscava...
Resgatar a história dos ex libris, apresentando-os e contextualizando-os na atualidade como uma marca bibliográfica pessoal, presente no Brasil.
E buscava mais...
. Apresentar conceitos teóricos e históricos pertinentes ao design gráfico, conduzindo o leitor ao contexto deste trabalho;
. Apresentar conceitos teóricos e históricos de marca;
. Apresentar as formas de representação visual empreendidas pelo homem;
. Apresentar a história dos ex libris, e suas formas de manifestação visual;
. Traçar as possibilidades de desenvolvimento de ex libris/marcas pessoais pelo design gráfico na atualidade.
O caminho
Este trabalho, de cunho documental, reuniu dados através de pesquisas bibliográficas para compor a base referente ao design gráfico e os ex libris. Para conseguir informações mais recentes, referentes aos ex libris, suas coleções e profissionais, reportou-se a contatos com pesquisadores no assunto através de correio eletrônico e visitas pessoais, e pesquisas na Internet e em bibliotecas públicas brasileiras.
E andei e andei por aí...
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